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Maio 24, 2005
Reflexos
Quando ela acendeu a luz amarela do abajur
deu pra ver os olhos borrados dela
- o rimel era Lancôme mas não resistiu...
Também numa noite como aquela!
Pelo espelho dourado dava pra ver
alguns contornos alaranjados dela
pernas
nádegas
costas
tudo misturado num lençol de seda azul...
Aquela noite tinha deixado marcas
algumas no pescoço
outras no ventre
umas romanticamente cravadas no coração
Ela quis romance
mas mergulhou na volúpia
entregou-se ao deus-dará
deu tudo pra ela
aquela maldita que lhe enfeitava a vida
fez tudo o que ela pediu
mesmo sabendo do fim...
Era madrugada quase manhã
ela olhou pro lado ainda sonolenta e embriagada
- Black Label, 12 anos e ressaca
Ela tinha sede e ao seu lado mais ninguém...
Como podia ter acabado?
Como ela podia ter partido?
Ela ainda sentia o calor dela entre as pernas
e aquele hálito de Halls dela na boca...
Ela olhou para o seu corpo quieto
naquele lugar desconhecido
seu corpo solitário
suado
seu corpo dependente daquele outro agora ausente
seu corpo desejoso do outro já perdido
ela lembrou da voz dela em seu ouvido
lembrou também de seu próprio gemido e do torpor
Entre elas o desespero e a despedida
pra elas não havia outra saída...
Ela lembrou do gozo e do toque das mãos dela nela
não ia ser fácil viver sem aquelas mãos em seu corpo
não ia ser simples viver sem ela toda nela
Ela conhecia seus abismos e suas respirações...
Quando enfim ela decidiu partir o sol já estava a pino
o dia já havia começado
tinha gente nas ruas
café fresco nas mesas
crianças indo pra escola
engarrafamentos medonhos
e seu sangue ainda corria nas veias...
Ela levantou daquela cama estranha
colocou seu vestido amarrotado
e retocou a maquiagem sem muita luz
- batom Shiseido quase negro
a ocasião pedia escuros...
Ela sentia que de sua pele ainda exalava o doce dela
e não havia nada o que fazer além de esquecer e viver...
Então ela entregou os últimos pontos daquela partida
não precisava mais jogar
e antes de sair daquele lugar alheio
ela olhou seus olhos no espelho
buscou dignidade
descobriu coragens
planejou o resto do dia
Na penumbra ela criou forças
expectativas
e lembrou das lágrimas misturadas daquela noite
lágrimas de saudade e de prazer
e agora tudo passado
tudo silêncio
tudo esquecido naquele quarto incógnito
escondido
sem reflexo...

cris:
19:05
-
Férias
Quero gosto
teu gosto de lavanda
na minha língua
e quero a tua toda
lambendo meu corpo
que agora te pertence
Quero cor
tua pele branca
grudada na minha
quero teu verde
teu olhar
tudo em mim
já que aqui
você me pertence
Quero calor
teu quente
entre as pernas
minhas pernas
entre as tuas
mistura do prazer
Quero música alta
teu gemido no
meu ouvido
teu gozo dentro
de mim
Quero agora
quero dias
quero tempo e folia
feriados no teu corpo
dias santos no teu conforto
Quero férias na tua cama...

cris:
17:39
-
Reforma
Estava pensando
em colocar uns quadros na parede
encher a sala de flores amarelas
e te esquecer...
Também pensei em trocar de cidade
de endereço
de coração
e de tudo isso
que me faz sofrer agora
mas é mais fácil
começar pelos quadros e flores...
Talvez depois de amanhã
eu até consiga dormir e acordar
como um ser humano qualquer
Quem sabe até sair de casa
sem medo de não estar lá
pra atender o telefone
Mas isso ainda é difícil...
Então
vou ficar aqui
escolher uma música
e deixar tocar bem alto
só assim não escuto nada...
Acho que vou aproveitar
a desordem da minha vida
e derrubar a parede do meu quarto
não preciso mais de privacidade
só de sexo!
Aí, mas tanta poeira vai me enlouquecer...
Imagina depois a faxina!

cris:
22:39
-
Libelo
Para alguns
o poder da palavra
não traduz nada
só condena
corta e decepa
Esses
me assustam
pensam que sabem tudo da vida
e dissertam com desenvoltura
sobre tudo
sobre todos
e te reparam como
um algoz na alcova
Eles me apavoram
pois pretendem entender
da alma
da natureza humana
como se dela
não fizessem parte
Eles são isentos
não têm culpas
e por isso
nos afligem...
Esses
os que julgam
com um poder desconhecido
alegando sapiência
e experiência de vida
Desses eu morro de medo
pois a qualquer momento
eles tem veredicto
sem direito a defesa
e preparam sentenças
armam o golpe fatal
e pronunciam a pena capital
Eles e suas certezas...
E deles vem o revés
Desses que a revelia
nos censuram
nos vigiam
Eles nos expurgam
Eles nos exorcizam
como se neles houvessem
o bento
a pureza
a paz...

cris:
15:46
-
TOP 10
coisas boas (e suas variações) da vida - parte I
1 - te beijar.
nossa como isso é bom! não vou nem avaliar o resto por que não vou conseguir postar...
2 - olhar a Lagoa Rodrigo de Freitas no final da tarde lá do lado de Ipanema.
ai que inveja de quem mora ali...
3 - passear com meus cachorrinhos, pelo Aterro do Flamengo bem cedinho. bom pro corpo, pra mente, pra tudo...
privilégio olhar o Pão de Açúcar de tão perto...
4 - tomar chope de pé no balcão do Belmonte, olhando o azul do céu do Rio com os amigos e comendo empadinhas de camarão.
como é bom tê-los por perto (os amigos e as empadinhas)
5 - saber que você está bem e que sente a minha falta sempre!
minha carência é meu guia e nada me faltará...rssss
6 - lembrar de você, sentir saudades, chorar se não der pra segurar e saber que isso é pra sempre por que meu amor por você é pra sempre...
meu querido sinto tanto tua falta...
7 - decidir todos os dias passar um mês inteiro em Paris e que tudo se exploda!
em outubro eu vou... os outonos são mais bonitos por lá...
8 - achar que carro só precisa de ar condicionado pra ser bom, mas ficar doida toda vez que vê um mini-cooper vermelho....
tenho um Ford Ka e sou muito feliz!
9 - eventualmente conseguir abstrair da situação caótica em que vivemos nesse país injusto que construímos todos os dias.
quando consigo abstrair renovo minhas esperanças num país melhor...
10 - ler os comentários que amigos e desconhecidos queridos deixam no meu blog...
fico numa vaidade de doer!

cris:
12:01
-
Minúcias
Encosto minha mão
no teu ventre
e sinto o calor
umbigo
pêlos
e pelos caminhos
ainda desconhecidos
deslizo
e vou até onde
teu olhar consente
escorrego pelo vão
entre as tuas pernas
e sinto a umidade
que se desprende
que se mistura
entre meus dedos
dedos que deixo
que a tua mão guie
leve, ensine
mostre até onde
tudo se permite
e faço o que me pedes
pedidos
entre silêncios
entre gemidos
Encosto minha boca
na tua
e sinto teu coração latejar
no meu corpo todo
e em cada contorno teu
sinto um novo gosto
sabores que nos teus beijos
são o meu paradeiro
Vem
e em mim deixa tuas marcas
e todos os pormenores
do teu desejo
se perde em mim
nas minhas pernas
no meu leito...

cris:
19:18
-
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