...cris: carioca, geminiana e preguiçosa no seu blog explicitamente íntimo...
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Setembro 3, 2008

Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Vinicius de Moraes - 1960



...Mariana minha querida a saudade é tanta e tanta será por toda a minha vida...
(20/01/1986 - 29/08/2008)

cris: 17:46 -


Agosto 14, 2008

Verdades e videoteipe

Tenho vontade de te dizer umas coisas
umas verdades minhas que penso de você
mas que são tão daninhas, tão antigas e capengas
que talvez você não entenda por não se reconhecer nelas
ou talvez você na hora perceba que é a tua vida escancarada
e entre num daqueles mergulhos parafuso de esquadrilha da fumaça
e não haveria pára-quedas que desse jeito no tombo
e aí nem sei...

Nem sei se você arrebentada com essas coisas de verdades de outras eras
ia poder perceber que elas são parte desse teu sofrimento opaco
esse mesmo que você consegue dar brilho e esconder entre os dedos
como se fosse feliz...

Talvez ali sem saída você pudesse sentir que nessas coisas
estão misturadas também umas infelicidades minhas
e um monte de tempo que eu não tenho mais e umas outras tristezas
que ficam naquela gaveta do que eu não fiz e podia ter feito

Se você pudesse também parar de citar teus textos prontos
de encenar uma ficção com a tua vida real
e pudesse viver as dores e os dissabores da existência
como qualquer ser que respira e pensa
talvez você não precisasse mais fingir que não sente, não vê e não sabe...

Talvez assim de cara com o medo da falta de regra
da ausência das tuas linhas em ângulo, você tão cartesiana e reta
conseguisse sair desse espaço apertado e descolorido
onde você guarda o teu melhor
os sonhos
os vícios
os desejos
as acrobacias no céu em dia de festa
onde você se perde e se encontra
esse teu lugar quieto
onde você apaga a luz e assiste o filme
sempre o mesmo
sempre só...

cris: 13:51 -


Julho 13, 2008

Simples

Bom
sentir o calor das tuas pernas
no meio da noite
quando o silêncio da cidade
invade nosso quarto
e você sonha...

Eu te abraço
e aí a vida fica tão fácil
que nem conto o tempo
o tempo que às vezes me dá medo

Bom
sentir teu cheiro novo
pescoço
nuca
e teu corpo que se ajeita no meu

Eu te beijo
e aí tudo fica tão simples
esqueço até do tanto
que já não posso ser
e sonho...

cris: 01:21 -


Junho 27, 2008

Noite

E se eu te contasse
uns segredos meus
inclusive aqueles
que te dizem respeito
e que escorrem quente
pelas dobras dos lençóis
brancos
macios
onde te vejo agora...

E depois no meio da noite
te sussurrasse imoralidades
as mais infames
as mais puras e devassas
as de amor
pela tua boca
pela tua buceta

Você ainda me olharia
com esses teus olhos
tão verdes
tão claros
como o mesmo brilho de paixão?

E você permitiria
que de mim vazassem pontas
arestas que te penetrassem a pele
e te fizessem sofrer
agarrada em minhas costas?

Então diz
que de mim você quer o todo
o que não completa
o que transborda
molha
e escorrega teu corpo no meu

Vem
fala olhando no meu profundo
onde você possui o tudo
cada parte que me compõe
aquelas que se transformam
quando você deseja
as que mutam

Diz
que ainda tem tempo
tem temperatura
tem tempestade que apaga as luzes
que traz as sombras que dançam
no teto do nosso quarto

Diz...

cris: 10:27 -


Fevereiro 21, 2008

Demasia

Um milhão de palavras
minha cabeça um amontoado
de desejos
de velocidades

Você meu desenho mais perfeito
em minhas mãos
um milhão das tuas linhas
lábios que me querem
os teus nos meus

Me abraça...

Vem de olhos fechados
e me olha com teus verdes
com todo o teu oriente
meu norte em você
meu corpo no teu
e um milhão de minutos
eu no teu prazer

Me abraça...

Minha cabeça
uma concentração
de desesperos
de felicidades

Você minha claridade
em minha vida
um milhão de regalias
teu sorriso
minha festa

Vem
apaga a luz e me abraça...

cris: 16:24 -


Fevereiro 19, 2008

Insular

Movimento das marés
que roubam dias
que escondem noites...

Como se conta o tempo
dos que não tem?
Como se diz adeus
aos que não partem?

Repuxo das ondas
que levam as tardes
e as alvoradas vazias...

Como lembrar dos dias
que não vivi?
Como te ver em rugas
se ainda tinhas vigor?

Silêncio...

Fidel Alejandro Castro Ruz

cris: 15:20 -


Fevereiro 1, 2008

Em Paris

Se fosse verdade
eu te diria que aqui viveria
para sempre

Na margem direita do rio
perto do parvis da catedral
aquele da foto sem foco
que você guarda na carteira

- Meu sorriso de bolso

E eu sei que seria mentira
porque eu não poderia
talvez pelo suor das manhãs a 40°
encostada nas tuas pernas
sentindo tua respiração
e o vento quente
que entra pela varanda vazia

- Nosso quarto ao sol da manhã

Se fosse verdade
eu te diria que contigo viveria
para sempre

Porém não poderia
talvez por não mais querer
contar o tempo
mas senti-lo...


tour eiffel - jean cocteau

cris: 18:39 -


Dezembro 20, 2007

cris: 09:09 -


Outubro 24, 2007

Chuva

Tenho pensado no tempo
e naquilo tudo que todo mundo pensa
finitude, velocidade, esquecimento...

E lá fora a chuva castiga a cidade

Eu escuto tua voz tão perto
e a vontade é só te abraçar
esqueço o tempo
lembro teus olhos
teu beijo
e daquilo tudo que você me diz perto
bem perto
segredos tão nossos

Tenho pensado no tempo
e de repente percebi suas marcas
na pele
nos pelos
na respiração

E ali teu viço
a juventude que me garante a festa
o novo sempre no teu abraço
e a partida certa a qualquer momento

Tenho pensado no tempo
e aí fecho os olhos
e deixo a felicidade em mim...

cris: 09:16 -


Setembro 20, 2007

Quimera

Um monte de idéias
de esboços
croquis
e rabiscos
que não consigo entender
mas meu traço desliza
harmônico...

E ela
misturada nas minhas formas
linhas e curvas
que desenho
no meu Moleskine
inspira
quimera que me perturba
e me invade
até o topo!

E ela
debruçada em minha vida
dias e noites
que me são dádivas do tempo
completa
prazer que me agita
e me emociona
até a alma...

Um monte de coisas
livros
jarra amarela
unhas vermelhas
e os olhos verdes dela
e o azul do Rio na janela
e beijo de televisão

'Tanta areia pro meu caminhão!'

Um monte de vontade
de frases
de palavras
que preciso escrever
mas meu texto anda fraco
em desequilíbrio...

E ela
deitada em minha cama
luz laranja
e sol bemol
sorri
e me faz feliz...

cris: 16:08 -


carmim