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Fevereiro 15, 2012

Esforço repetitivo

Dia pouco proveitoso esse. Nem sei se trabalhei mesmo...
Desde ontem um enjôo das coisas do cotidiano do mundo!
Os mesmos assuntos de sempre, a Míriam Leitão afundando a economia do país,
o Bolsonaro querendo fusilamento, o restaurante a quilo cheio e confuso,
os engarrafamentos, as promessas de mudanças de todos , inclusive as minhas,
as novelas das 6 das 7 das 8 imbecis!
As novidades do planeta são tão velhas quanto aquela copa que o Brasil perdeu em casa.
As guerras ali no mesmo lugar e pelos mesmos motivos, ninguém ganha, mas todos perdemos alguém ou alguma coisa.
Nem a morte de um Bom, nem o terrremoto devastador na terra do sol nascente, nada disso é tão contundente.
Vivemos a notícia do dia, depois esperamos a próxima.
Tudo em velocidade de download de banda larga!
Enfim hoje tou assim pensando como podemos ser tão sem graça, tão infinitamente repetitivos.
Hoje estou com LER da vida...

cris: 11:57

...


Fevereiro 2, 2012

Dia 2 de fevereiro



Salve a Rainha!

cris: 10:46

...


Abril 9, 2011

Luto

Quando uma mãe enterra seu filho as linhas que sustentam tudo se embaraçam
e aquela do tempo onde apoiamos nossos dias não compreendem os nós.
Tudo perde o sentido.
Quando um pai enterra seu filho não há nada que sirva de explicação para as linhas da vida,
que só entendem que primeiro vai o avó, depois o pai e mais tarde o filho
e isso se repete a cada segundo num ciclo interminável.
E ai, o que dizer para esses pais que vêem sua eternidade morta,
que têm sua certeza do tudo morta?
E depois como desfazer os nós e reencontrar o sentido da vida?


pelas crianças de realengo

cris: 08:44

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Abril 3, 2011

31 de março de 1964

Golpe Militar no Brasil - A Ditadura permanecerá por 21 anos




“Não esquecer é garantir o nunca mais…”

cris: 19:18

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Março 17, 2011

!

Não é fácil perceber o tempo
que atravessa nossa pele
que clareia nossos cabelos
e que faz ruídos estranhos
enviando sinais
com símbolos que desconhecemos
mas que tentam o alerta
o aviso
estou passando...

cris: 21:05

...


Novembro 6, 2010

Presidenta

A esperança continua vencendo o medo
e a verdade venceu a hipocrisia!

cris: 18:56

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Outubro 30, 2010

Voto

Lembro do dia que se tentou mais uma vez
mudar os rumos da história pelo medo
Lembro que as mensagens eram de pavor
E vinham de onde havia volume
Onde fincavam os estabelecidos
Onde os antigos e caducos
decidiam como seriam os todos os dias
Onde os ressentidos se alinhavam
Ali de onde depois de tanta treva
escaparam os tiranos
sem qualquer punição

Mas a esperança venceu o medo
E aqueles que pregavam o desespero
E incitavam o temor
Foram silenciados pela então felicidade de muitos
Daqueles que tiveram coragem
E não se calaram
Dos que foram em busca do novo
E não desistiram

Hoje o medo tem outra cara
ele não pode mais usar o mesmo disfarce
aquele do apocalipse
mas tem volume
tem eco
tem as armas do preconceito e da intolerância
E faz muita gente vibrar
Mas a verdade vence a hipocrisia
E o novo está pleno e vivo
Não há o que temer
Só que o festejar
E mesmo eles
os tiranos impunes
e os ressentidos esquecidos
Viverão também num país bem melhor...


31 de outubro 2010 – Dilma 13

cris: 12:51

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Outubro 12, 2010

DOIS PESOS…

Por Maria Rita Kehl

Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.
Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.
Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.
Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.
O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.
Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.




Maria Rita Kehl

cris: 09:17

...


Junho 8, 2010

Agora 50

cris: 21:28

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Maio 30, 2010

Oração ao tempo

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...

Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...

O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...

Caetano Veloso

cris: 10:58

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Abril 21, 2010

Brasília



...50 anos!..

cris: 20:45

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Dezembro 12, 2009



...desejo a todos um feliz 2010...

cris: 21:34

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Julho 19, 2009

Vício



... tumblr você também vai ter o seu!...

cris: 12:50

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Julho 12, 2009

Home sweet home

Queria morar com você naquela casa do fim da rua
jardim na frente
quarto de bagunça nos fundos
quintal com jabuticabeira e rede na varandinha azul

Uma sala grande, bem grande
pra você largar teus sapatos coloridos
e tuas bolsas exageradas

Janelas brancas e cortinas amarelas
em nosso quarto ensolarado e silencioso

Em nossa cama branca
edredom branco
e teu perfume nos lençóis

Queria te beijar no portão
ficar olhando as estrelas
vendo o tempo passar
bem devagar

Queria acordar com você
e te ver andando pela casa escovando os dentes
todos os dias
sempre
por muito tempo
e te achar cada vez mais linda
todo os dias...

Queria dormir com você
te abraçar
e pensar que a vida devia ser muito mais longa

Queria te ver dançando
e temperando a salada de domingo
só pra mim

Azeite e alecrim da horta do canteiro da cozinha
Tuas receitas espalhadas na bancada
nas prateleiras
nos ladrilhos
teus sabores em minha boca

Queria morar com você naquela casa de muro baixo
e telhado branco no fim da rua
eu sei que te faria feliz
que você apagaria a luz do abajur
e diria baixinho no meu ouvido
‘eu te amo’
todas as noites...

cris: 02:09

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Julho 8, 2009

Inverno

Não era para o choro
Não era para a tristeza

Em mim a felicidade escorre
e se mistura tão rapido com lágrimas antigas
que desaparece
como se fosse pouca
como se até não fosse verdade

Não era para o silêncio
Nem para essa dor que dói em mim toda
na existência...

Lá fora o dia azul de inverno
O café quente
Tua voz no meu ouvido

Não era para a culpa
Não era para o arrependimento

Em mim as ausências invadem com potência máxima!
Tantas perdas...

Não era para o tanto
Nem era para o tão pouco

Às vezes me falta o conforto
Teu abraço
O calor do novo

Em mim a esperança ingenua
me empurra
me arrasta muitas vezes

O sol de inverno morno
Teus beijos em minha boca

Em mim ainda exite coragem e valentia!

Me encosto em tuas costa
Teu corpo agora meu universo inteiro

Fechos os olhos...

cris: 19:20

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Junho 4, 2009



...felicidade é estar com os amigos...

cris: 23:16

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Abril 23, 2009

Salve Jorge

Jorge sentou praça
Na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também
Sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas
E as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham pés
E não me alcancem
Para que meus inimigos tenham mãos
E não me toquem
Para que meus inimigos tenham olhos
E não me vejam
E nem mesmo um pensamento
Eles possam ter para me fazerem mal
Porque eu estou vestido com as roupas
E as armas de Jorge
Salve Jorge
Armas de fogo
O meu corpo não alcançarão
Facas e espadas se quebrem
Sem o meu corpo tocar
Cordas e correntes arrebentem
Sem o meu corpo amarrar
Porque eu estou vestido com as roupas
E as armas de Jorge
Salve Jorge

(Jorge de Capadócia - Jorge Benjor)

cris: 18:55

...


Janeiro 25, 2009

Sábado

Dia cinza
Música estrangeira
Cortinas fechadas
Tantas saudades misturadas
Chove
E eu espero por ela...

Pelo telefone declarações de amor
E no meu corpo todo a falta do dela

Olho em volta
Espalhadas estão as cores dela
Emaranhadas em alguns cinzas meus
Inspiro
E os cheiros da casa são outros
Expiro
Logo ela vai chegar...

Dia longo
Cidade quieta
Tantas lembranças felizes
Algumas tristezas profundas
Me faltam lágrimas
Me sobram expectativas

Não tenho mais medo do tempo
Nem da velocidade dele

Domingo
Sol tímido na varanda
Quero samba
Um pouco de 40 graus
E ela aqui sorrindo pra mim...

cris: 11:10

...


Janeiro 21, 2009

Yes we can



palavras, palavras...

"mais importante, a esperança venceu o medo e hoje eu posso dizer para vocês que o Brasil mudou sem medo de ser feliz". (Lula 2002)

"A esperança de mudar superou o medo. Sabemos da gravidade da crise, pois vemos a situação que vivemos, com milhares de empregos perdidos.
Mas juntos conseguiremos sair dessa crise". (Barak Obama 2009)

Sim...e nós podemos?

cris: 14:57

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Dezembro 17, 2008

Feliz Ano Novo

Marcamos o tempo
dias
datas sublinhadas em agendas
lembranças
comemorações
obrigações
compromissos inadiáveis

Nele estamos aprisionados
em horas
em milésimos de segundos
e nada seria possível
sem contá-lo
sem delimitar seu espaço

Vivemos sob seu comando
na rigidez de seus minutos

Lamentamos o tempo
sua passagem pela nossa pele
os brancos em nossos cabelos
os esquecimentos
nossas memórias que ele esconde
e mesmo sem compreender sua passagem
festejamos
bebemos por ele
nos reunimos em torno de sua duração
desejando sempre o que ele nunca nos dará
mais tempo...



...vamos aproveitar todo o nosso tempo - feliz 2009!..

cris: 09:07

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Dezembro 3, 2008

Toi

menina
que me tem
que me diz
que me ama
que me aperta
em seus braços
em abraços
em beijos
e que me deixa
sem eira nem beira
no meio da felicidade...

cris: 22:10

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Novembro 5, 2008

I have a dream

"I am happy to join with you today in what will go down in history as the greatest demonstration for freedom in the history of our nation."



Discurso de Martin Luther King - 28/08/1963

cris: 11:25

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Novembro 2, 2008

Ô ô ô ô ô ô

E quando eu beijo a tua boca
tenho certeza que a vida é boa
tenho em mim todos os sonhos
e o tempo por instantes para...

E quando te abraço toda
e teu corpo tão perto
e teus olhos tão perto
rejuvenesço
e é tão bom
que até aprendo a dançar...

cris: 11:52

...


Outubro 22, 2008

Deserto

Eu havia deixado seco
meu caderno de anotações
não queria mais as manchas
amareladas dos meus sofreres
não
não queria mais

Aquela umidade que cria mofo
bolor que me entra pelos olhos
ai, chega de lágrimas!

Prefiro essa secura brasiliana
cerrado
desidratado
quase árido
é assim que está em mim
o que não posso entender
murcho
ressequido

E mesmo assim eu lembro
daquela noite
daquela chuva
e dos reflexos dos faróis em mim
no meu mais profundo
e no teu corpo ali

Eu tinha largado enxuto
meu texto
minha palavra certeira
eu e o meu jeito naïf de ver o mundo
não quero ser diferente
só quero poder dormir direito
e te lembrar feliz...

cris: 07:25

...


Setembro 3, 2008

Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Vinicius de Moraes - 1960



...Mariana minha querida a saudade é tanta e tanta será por toda a minha vida...
(20/01/1986 - 29/08/2008)

cris: 17:46

...


Agosto 14, 2008

Verdades e videoteipe

Tenho vontade de te dizer umas coisas
umas verdades minhas que penso de você
mas que são tão daninhas, tão antigas e capengas
que talvez você não entenda por não se reconhecer nelas
ou talvez você na hora perceba que é a tua vida escancarada
e entre num daqueles mergulhos parafuso de esquadrilha da fumaça
e não haveria pára-quedas que desse jeito no tombo
e aí nem sei...

Nem sei se você arrebentada com essas coisas de verdades de outras eras
ia poder perceber que elas são parte desse teu sofrimento opaco
esse mesmo que você consegue dar brilho e esconder entre os dedos
como se fosse feliz...

Talvez ali sem saída você pudesse sentir que nessas coisas
estão misturadas também umas infelicidades minhas
e um monte de tempo que eu não tenho mais e umas outras tristezas
que ficam naquela gaveta do que eu não fiz e podia ter feito

Se você pudesse também parar de citar teus textos prontos
de encenar uma ficção com a tua vida real
e pudesse viver as dores e os dissabores da existência
como qualquer ser que respira e pensa
talvez você não precisasse mais fingir que não sente, não vê e não sabe...

Talvez assim de cara com o medo da falta de regra
da ausência das tuas linhas em ângulo, você tão cartesiana e reta
conseguisse sair desse espaço apertado e descolorido
onde você guarda o teu melhor
os sonhos
os vícios
os desejos
as acrobacias no céu em dia de festa
onde você se perde e se encontra
esse teu lugar quieto
onde você apaga a luz e assiste o filme
sempre o mesmo
sempre só...

cris: 13:51

...


Julho 13, 2008

Simples

Bom
sentir o calor das tuas pernas
no meio da noite
quando o silêncio da cidade
invade nosso quarto
e você sonha...

Eu te abraço
e aí a vida fica tão fácil
que nem conto o tempo
o tempo que às vezes me dá medo

Bom
sentir teu cheiro novo
pescoço
nuca
e teu corpo que se ajeita no meu

Eu te beijo
e aí tudo fica tão simples
esqueço até do tanto
que já não posso ser
e sonho...

cris: 01:21

...


Junho 27, 2008

Noite

E se eu te contasse
uns segredos meus
inclusive aqueles
que te dizem respeito
e que escorrem quente
pelas dobras dos lençóis
brancos
macios
onde te vejo agora...

E depois no meio da noite
te sussurrasse imoralidades
as mais infames
as mais puras e devassas
as de amor
pela tua boca
pela tua buceta

Você ainda me olharia
com esses teus olhos
tão verdes
tão claros
como o mesmo brilho de paixão?

E você permitiria
que de mim vazassem pontas
arestas que te penetrassem a pele
e te fizessem sofrer
agarrada em minhas costas?

Então diz
que de mim você quer o todo
o que não completa
o que transborda
molha
e escorrega teu corpo no meu

Vem
fala olhando no meu profundo
onde você possui o tudo
cada parte que me compõe
aquelas que se transformam
quando você deseja
as que mutam

Diz
que ainda tem tempo
tem temperatura
tem tempestade que apaga as luzes
que traz as sombras que dançam
no teto do nosso quarto

Diz...

cris: 10:27

...


Fevereiro 21, 2008

Demasia

Um milhão de palavras
minha cabeça um amontoado
de desejos
de velocidades

Você meu desenho mais perfeito
em minhas mãos
um milhão das tuas linhas
lábios que me querem
os teus nos meus

Me abraça...

Vem de olhos fechados
e me olha com teus verdes
com todo o teu oriente
meu norte em você
meu corpo no teu
e um milhão de minutos
eu no teu prazer

Me abraça...

Minha cabeça
uma concentração
de desesperos
de felicidades

Você minha claridade
em minha vida
um milhão de regalias
teu sorriso
minha festa

Vem
apaga a luz e me abraça...

cris: 16:24

...


Fevereiro 19, 2008

Insular

Movimento das marés
que roubam dias
que escondem noites...

Como se conta o tempo
dos que não tem?
Como se diz adeus
aos que não partem?

Repuxo das ondas
que levam as tardes
e as alvoradas vazias...

Como lembrar dos dias
que não vivi?
Como te ver em rugas
se ainda tinhas vigor?

Silêncio...

Fidel Alejandro Castro Ruz

cris: 15:20

...


Fevereiro 1, 2008

Em Paris

Se fosse verdade
eu te diria que aqui viveria
para sempre

Na margem direita do rio
perto do parvis da catedral
aquele da foto sem foco
que você guarda na carteira

- Meu sorriso de bolso

E eu sei que seria mentira
porque eu não poderia
talvez pelo suor das manhãs a 40°
encostada nas tuas pernas
sentindo tua respiração
e o vento quente
que entra pela varanda vazia

- Nosso quarto ao sol da manhã

Se fosse verdade
eu te diria que contigo viveria
para sempre

Porém não poderia
talvez por não mais querer
contar o tempo
mas senti-lo...


tour eiffel - jean cocteau

cris: 18:39

...


Dezembro 20, 2007

cris: 09:09

...


Outubro 24, 2007

Chuva

Tenho pensado no tempo
e naquilo tudo que todo mundo pensa
finitude, velocidade, esquecimento...

E lá fora a chuva castiga a cidade

Eu escuto tua voz tão perto
e a vontade é só te abraçar
esqueço o tempo
lembro teus olhos
teu beijo
e daquilo tudo que você me diz perto
bem perto
segredos tão nossos

Tenho pensado no tempo
e de repente percebi suas marcas
na pele
nos pelos
na respiração

E ali teu viço
a juventude que me garante a festa
o novo sempre no teu abraço
e a partida certa a qualquer momento

Tenho pensado no tempo
e aí fecho os olhos
e deixo a felicidade em mim...

cris: 09:16

...


Setembro 20, 2007

Quimera

Um monte de idéias
de esboços
croquis
e rabiscos
que não consigo entender
mas meu traço desliza
harmônico...

E ela
misturada nas minhas formas
linhas e curvas
que desenho
no meu Moleskine
inspira
quimera que me perturba
e me invade
até o topo!

E ela
debruçada em minha vida
dias e noites
que me são dádivas do tempo
completa
prazer que me agita
e me emociona
até a alma...

Um monte de coisas
livros
jarra amarela
unhas vermelhas
e os olhos verdes dela
e o azul do Rio na janela
e beijo de televisão

'Tanta areia pro meu caminhão!'

Um monte de vontade
de frases
de palavras
que preciso escrever
mas meu texto anda fraco
em desequilíbrio...

E ela
deitada em minha cama
luz laranja
e sol bemol
sorri
e me faz feliz...

cris: 16:08

...


Agosto 26, 2007

About last night

Muitas vezes é simples
Basta prestar atenção
Às vezes basta o silêncio
Compreender nem vale a pena
Acolher talvez
Pensar que pode ter sido muito difícil
Que pode ter doído tanto
Que lembrar, só lembrar
Desorganiza tudo...

Quase sempre é simples
Mas contemos as lágrimas
Resolvemos que está tudo bem
Que logo vai passar
E repetimos todos os velhos clichês
E passa
Passa mesmo
O esquecimento faz parte do poder da memória
Que pode falhar é claro
Que pode por um motivo banal trazer de volta o que havia partido
Pois nada nunca é para sempre...
E tudo se movimenta
Que bom!

É simples
E mesmo assim muitas vezes não sabemos como fazer
Acomodamos-nos nas frases feitas
Nas lutas inglórias entre o bem e o mal
E ficamos ali entre a culpa e o ressentimento
Procurando entender o que não tem explicação
Mas tem corpo
Tem lembrança
Tem cor
Textura
E como é quase possível tocar tudo isso
É fácil entender que é sensível
Delicado
É vida
E é o outro
É aquele com quem compartilhamos o tempo
O relativo
O espaço curvo do gênio
Tão simples...

cris: 23:17

...


Junho 3, 2007

Aqueles

Tantos dias
aqueles em que a velocidade da vida
impedia tantos momentos
aqueles em que eu me demorava em você
e você transbordava em mim teu olhar iluminado

E pela janela coberta de renda
tua pele clara em mim
refletia o que eu nem podia
e você me retinha
entre as tuas pernas

E era ali onde nos despedíamos
entre tantos motivos para ficar
e a minha boca na tua
e meu desejo todo em você
tanto que eu nem sabia
que eu nem sonhava
mas em todos aqueles dias
eu te queria...

cris: 21:14

...


Maio 30, 2007

40 anos

A day in the life by The Beatles

I read the news today, oh boy
About a lucky man who made the grade
And though the news was rather sad
Well I just had to laugh
I saw the photograph
He blew his mind out in a car
He didn't notice that the lights had changed
A crowd of people stood and stared
They'd seen his face before
Nobody was really sure if he was from the House of Lords

I saw a film today, oh boy
The English army had just won the war
A crowd of people turned away
But I just had to look
Having read the book
I'd love to turn you on

Woke up, fell out of bed
Dragged a comb across my head
Found my way downstairs and drank a cup
And looking up I noticed I was late
Found my coat and grabbed my hat
Made the bus in seconds flat
Found my way upstairs and had a smoke
Somebody spoke and I went into a dream

I read the news today, oh boy
4,000 holes in Blackburn, Lancashire
Although the holes were rather small
They had to count them all
Now they know how many holes it takes to fill the Albert Hall
I'd love to turn you on...


cris: 19:04

...


Abril 25, 2007

...O gênio e o século...

"Não é o ângulo reto que me atrai
nem a linha reta
dura
inflexível
criada pelo homem

O que me atrai é a curva livre e sensual
a curva que encontro nas montanhas do meu país
no curso sinuoso dos seus rios
nas ondas do mar
nas nuvens do céu
no corpo da mulher preferida

De curvas é feito todo o universo
o universo curvo de Einstein"



...Oscar Niemeyer...

cris: 17:08

...


Março 29, 2007

Sequência

Olho-te...
meu olho dentro do teu
e quase tudo que cabia
vaza
e não há mais como conter
derrama
te chama pra minha cama
e você vem...

Beijo-te...
tua boca dentro da minha
e o que se podia ver
some
se mistura em você
mescla
e te pede outra vez
e você dá...

Quero-te...
meu dia esparramado no teu
e o que se permitia
foge
e se abriga em você
cresce
te espera
e você chega...

Toco-te
meu corpo no teu
e quase tudo que não podia
pode
e o dia que era aquele
multiplica-se
diluído noutro tempo
e entre eu e você
o hoje
o agora
pedem amanhã
e depois
e nem sei...

cris: 17:24

...


Março 22, 2007

Dis-moi

Nada de rimas
abandono meus versos
e me verso sobre teus seios
que me envolvem em delícias
e me permitem espaços
onde percebo cores
e linhas desenhadas
no teu corpo
desde os cílios
pelos ombros
até as mãos
repletas de vocábulos secretos
linguagem entre ouvidos
entre nós...

Nada de rimas
esqueço a métrica
quero somente o que me prende
entre as tuas pernas
tuas retas e curvas que me contêm
teus verdes que me olham
e que de repente geram luz
e que ali derramam o doce e o sal
que equilibram o instante
o momento exato do prazer...

E aí me abraça
e diz...

cris: 10:16

...


Fevereiro 14, 2007

Muito

Tanto
E agora não tem onde guardar
Teu inteiro em mim...

E a boca que eu beijo
E as pernas que com as minhas se misturam
E os olhos que de tão perto perdem o foco...
Meu tudo em você...

E teus vãos que me escondem
E minhas mãos que te preenchem
E o que em mim se acrescenta te penetra

Dentro
E agora te pertence
Parte que você transforma
Tempo que guarda nossos segredos
E da minha janela
Azul
E nesses dias
Sol

Tanto
E agora não tem mais como evitar
Teu verão em mim
Vem e queima meus dias
Todos
Todos os dias aqui na minha cama...

cris: 18:33

...


Janeiro 28, 2007

São Sebastião

São Sebastião
Sua cidade tem as curvas
Quais as curvas de um nobre violão
Não será razão
De tanta música bonita
Ter-se feito em sua mão
Ó, pai Ode, protege as matas
Que circundam esse altar
Que da maré vazante e cheia
Já se ocupa Iemanjá

São Sebastião do Rio flechado
Em seu peito atravessado
Pelas setas dos seus filhos
Queira Deus que os meninos
Achem a trilha nos seus trilhos
Inspirados na beleza de seu verde, seu anil
E mereçam a cidade estandarte do Brasil
E que outros mil poetas
Venham te cantar meu Rio

São Sebastião
Sua cidade cor-de-rosa
Fez da prosa um belo samba de Noel
Se eu fosse Gardel
Cantaria um tango pelo tanto
Dos encantos de Isabel
Ó, meu São Tomé, se alguém duvida
Passe os olhos pela Urca e o Sumaré
Onde a imperatriz beijou a flor
Porta-bandeira da cidade mais feliz

São Sebastião do Rio flertado
Ribeirão puro e encantado
Só no casco dos navios
Te naveguem as mais belas
E os mais belos dos bravios
Nessas águas que fizeram de Machado
Suas letras imortais
Entre copas de Salgueiros
E Mangueiras tropicais
E que novas musas venham
Em ti pousar seus ais


'e o Rio resiste de tanta beleza'

letra e música - Totonho Villeroy
canta - Martinália e Maria Bethânia

cris: 19:15

...


Janeiro 24, 2007

Embriagada

Te quero
Isso eu sei
sei porque sinto
aqui
onde agora só você sabe

Nem sei o que fazer com isso
mas você sabe
e faz onde deve
e faz como
eu nem sei descrever
não
não posso descrever...
Sinto!

Te quero
e daí?
Isso é engraçado
e eu sorrio
por que não preciso de respostas
que bom!
Assim também não há perguntas
e o que vem
vem entre as pernas
entre nossos beijos

Te quero
Isso eu sei
e você?

cris: 00:53

...


Janeiro 22, 2007

Desconhecido

E se fosse tanto
eu não saberia dizer quanto
E o que percorre
eu não poderia reter...

E o que em mim escorre
vem dela
e ela em mim
transborda

E se fosse tudo
eu não entenderia o porque
mas permitiria
meus olhos presos aos seus
minhas mãos confundidas com as suas

E se fosse ela
na noite longa
eu penetraria
em seu agridoce
deslizaria em seu calor
no vão que me prende
e que me promete mais

E se fosse eu
na madrugada fria
teria várias vezes
meu corpo atingido
por seus beijos
que em mim se alastram...

E seu fosse nós
seria tanto
que até poderia ser tudo
mas aí eu não poderia dizer...

cris: 17:46

...


Janeiro 12, 2007

Symbiosis

Não gosto desse
meio tempo
meio quase nada de nós
esse o que restou do nosso amor

Não gosto desse
gosto de ressaca na boca
de ontem
desse quase tudo acabado
dessa porta entreaberta
e dos meus medos espalhados por aí

Te procuro em mim
você tatuagem no meu peito
você de quem tento esquecer o cheiro
você que habita em algum lugar dentro
de minh'alma
dentro da minha tão nova solidão

Te decepo de mim
você parte de músculos e nervos
você colabada na minha felicidade
te descolo
te desprendo dos meus dias
dos que ainda nem vivi

Não quero essas
noites que não me pertencem
que vagam entre mim e outros olhos
que não conheço
que não decifro
que posso esquecer

Não quero essas
madrugadas velozes
de quem foge de volta para o começo
de quem procura o que passou
de quem tem saudades

Te esqueço em mim
você cada momento do que vivi
você tantas certezas e linhas retas
te apago
te desprezo
e minto
"não te quero mais"

Não quero essa
manhã que sinto nascer
quero você aqui em mim
você parte e pele do que me faz forte
você o todo daquilo que ainda pode
você toda em mim...

cris: 12:59

...


Janeiro 8, 2007

Heures érogénes

Sans toi je recompte et par centaines
Tes voix qui me manquent mais quelle veine
A moitié chemin, tout me ramène
Aux joies de nos heures érogènes

Sers toi de mon corps et soit certaine
J'ai choisi l'amour malgré les chaînes
Aux doigts qui nous montrent au loin l'éden
Aux toiles de maîtres, aux chansons hautaines

Sans toi je recompte et par centaines
Tes voix qui me manquent mais quelle veine
A moitié chemin, tout me ramène
Aux joies de nos heures érogènes

En toi, je le sais j'ai mes antennes
Les rois sont mangés et par les reines
Mais dois-je dire que j'ai si l'idée gêne
De quoi nous prendre au mot verlan, quen

Sans toi je recompte et par centaines
De voix, nos je t'aime et trop de veine
A moitié chemin tout me ramène
Aux joies de nos heures érogènes

Des mois des nuits que je me démène
De soirs de première en jeux de scène
Mais trois ou six temps, les notes m'entraînent
Au bois dormant chez toi, quelle aubaine

Sans toi je recompte et par centaines
Tes voix qui me manquent mais quelle veine
A moitié chemin, tout me ramène
Aux joies de nos heures érogène



Texte : Marc Esteve
Chanteur : Art Mengo

cris: 21:01

...


Janeiro 4, 2007

Auto-ajuda

No espelho
às onze da manhã
olhar dentro dos olhos
e ter certeza que estou acordada
mesmo depois de tanto álcool e de tanto batom

- Final de ano são tantas as comemorações...
Nem sei para que tantas, afinal qual era a graça mesmo?

No caminho
para qualquer lugar
mesmo para aquele que eu quero esquecer a direção
iPod e Ojos de Brujo tocando alto
individualidade auricular
e solidão produtiva...

- Não dá para discutir relação
tendo a Baía de Guanabara azulada ali na frente...

Sol eu quero sol!!!!!!!!!

E aí me lembrar que a dois era mais divertido
e que quando você chegava era o melhor momento de todos
e agora é silêncio

Na real
Realidade!

No dia-a-dia
um dia e depois o outro
perceber que meu corpo pede pausas
e meu tempo organização

- Naquele dia, eu pensei que não fosse suportar...

Descobrir que tenho alicerce - e que é pura babaquice!
Da próxima vez, quebrar copos e o dvd
para no bar ter histórias para contar

Na pergunta
- O que segura, o que retêm as relações amorosas?
A resposta
- Nada! Elas são autoportantes...

Na questão
- E daí?
No argumento
- Se sustentam enquanto podem...
E ninguém entende nada

Nas refeições
Pedir picadinho carioca toda vez que o desejo for esse...
com ovo poché, é claro. Sem culpa!

Nas noites claras de luar
Desejar estar perdida em qualquer lugar
entre teu beijo e a palma da tua mão

Na cama
depois de tanto querer
tirar a roupa, permitir e gozar até dormir. Sem culpa!

No quesito
- tão bom que dói
A nota
- dez, nota dez!

Ai... não vou me guardar para quando o carnaval chegar!
Vem cá...

- aquelas noites têm se transformado em dias...
Perigoso? Não sei e não quero saber...

No novo ano
agenda nova
lençóis novos
outra paisagem em outra janela

- Acreditar na sorte cantando o samba-enredo da Ilha do Governador
Como será o amanhã...

cris: 11:47

...


Dezembro 21, 2006



'mais um ano e esse carmim ainda em mim'

beijos para todos

cris: 01:13

...


Dezembro 16, 2006

Paisagem

Tava lá eu de cara pra uma lua irritante de bonita
Noite quente
Luzes de Natal acesas por toda a parte
Enseada de Botafogo
Quase perfeito...

Teu peito no meu
Teu olho no meu
E te lembrar era vital
Te sentir não sei
Te ter talvez
Quase um direito...

Teu corpo e o meu
Par
Paralelo
Direção conhecida
Sentido escondido
Silêncio...

Tava assim o som da cidade distante
Noite que não acabava
Luzes refletidas na Baía de Guanabara
Quase um poema...

Tua boca na minha
Teu gosto em mim
Sal
Maresia
Rendas nas janelas
Limites
Desejos insuportáveis
Quase um castigo...

Tava lá aquela lua enorme
A noite escaldante me tirando do sério
As luzes dos carros brilhando
Nem imagino onde estão teus olhos
Quase saudade
Me invade
Cidade Maravilhosa

cris: 00:08

...


Dezembro 4, 2006

Cometas e eclipses

E me transpassa
me atravessa
Quase escapa do controle...

E eu que sabia dos meus ciclos
dos períodos do meu coração
me impressiono
E eu que deixava chegar bem perto
agora fico atenta a tudo
qualquer distância é pequena
é logo
é imediato...

E não me diga
que foi por descuido
Como se cuida disso
que não tem nome
que não tem tempo
e que despenca
que corta
como um cometa no céu escuro
que assusta
como um eclipse no dia claro

E me atormenta!

Se fosse mar
seria a rebentação
e se fosse para eu ir
seria no mergulho
mas não posso mais
com certas profundidades
nem com tantas alturas
e nem com todas as expectativas
da palavra
do elo
do que não tem explicação
mas que por fim nos pertence
a mim e a você...

cris: 23:17

...


Receita

Domingo
Lave as folhas da salada verde
Corte cebolas em rodelas
Amasse vários dentes de alho
e prepare o arroz de grãos curtinhos

Abra o vinho
Tire do louceiro
as taças transparentes e finas
Prepare o funghi
Corte delicadamente
em fatias displicentes
e deixe o azeite de olivas
esquentar na caçarola francesa
Refogue...

Ponha a mesa
Toalha branca de renda nas pontas
queijo parmesão
e pratos de faiança inglesa

E aí
enquanto o cheiro
dos temperos inunda a varanda
coloque um pouco
mas só um pouco
de pimenta dedo-de-moça
para esquentar
a boca da moça

Dela
que quando chega
vem pelo quintal
comendo tangerinas
e deixando escorrer o sumo
pelo decote da blusa azul

Deixe que ela
se aproxime de você
até a distância mais perigosa
aquela que você sempre deseja
aquela em que ela te beija

Sorri quando ela
que te desconcerta
que te enche a vida de sabores
salgar um pouco mais
ralar noz-moscada
e derramar vinho rosso
no caldo quente do teu risoto...

cris: 00:28

...


Dezembro 1, 2006


Dia Mundial 2006 - A vida é mais forte que a aids
www.aids.gov.br

cris: 17:10

...


Novembro 29, 2006

Oralidades

Ser e estar
Nobreza da língua!

Nós estávamos
Nós não éramos
Sorrio - Ah o português, delicioso em suas precisões...

E é assim por enquanto
E quando?
Não saberia dizer, mas aconteceria
Enquanto isso
Estamos protegidas
Nos imprecisos pretéritos
Resguardadas pela velocidade da vida
Que sempre tem pressa
E nos dias em que esperamos despercebidas
O outro
Aquele
O dia que raramente se transformará em noite
Ele que não contém particípios
Que é sempre presente
E que se transforma em futuro
Até agora...

E até quando?
Impossível prever
Tudo pode acontecer
Sorrio - Puro clichê...
Não é?

cris: 13:16

...


Novembro 26, 2006

Módulo

Tinha o segredo e o medo
a mistura que impedia
e era bom quando acontecia
porque era proibido
era escondido e demorava

Tinha o diferente
o que não era comum
porque não era sempre
e durava
e era do jeito que eu desejava

E eu fechava os olhos
e lembrava
de você bem perto
na minha boca
repetindo
dentro da minha orelha
pedindo
me pedindo
eu em você outra vez
dentro e toda

E depois quando era dia
de você eu me cobria
e por você eu esperava...

cris: 16:54

...


Novembro 12, 2006

Trash

Então é aqui que se deixa
o que sobrou
o que não tem mais importância
o que não fará falta
e que também não servirá a ninguém

É aqui onde despejamos nossos restos
o resto daquilo que um dia fomos
o que escorreu
o que vazou
o que derramou
e se esvaiu com o tempo
com as horas
com as distâncias percorridas

É aqui longe de quase tudo
que se abandona o que já brilhou
o velho
o que não tem mais voz
o que não se refez

Então é assim que se faz com isso
que era quase tudo
que preenchia o dias
que iluminava as tardes
que queimava nas noites

Agora eu sei como fazer
Pensei que jamais saberia...

cris: 15:33

...


Novembro 11, 2006

Il faut tourner la page

Il faut tourner la page
Changer de paysage
Le pied sur une berge
Vierge
Il faut tourner la page
Toucher l'autre rivage
Littoral inconnu
Nu
Et là, enlacer l'arbre
La colonne de marbre
Qui fuse dans le ciel
Tel
Que tu quittes la terre
Vers un point solitaire
Constellé de pluriel
Il faut tourner la page...
Redevenir tout simple
Comme ces âmes saintes
Qui disent dans leurs yeux
Mieux
Que toutes les facondes
Des redresseurs de monde
Des faussaires de Dieu
Il faut tourner la page
Jeter le vieux cahier
Le vieux cahier des charges
Oh yeah
Il faut faire silence
Traversé d'une lance
Qui fait saigner un sang
Blanc
Il faut tourner la page
Aborder le rivage
Où rien ne fait semblant
Saluer le mystère
Sourire
Et puis se taire...



paroles: claude nougaro

cris: 13:06

...


Novembro 3, 2006

Tanto

Tanto que nem sei se é possível
transborda e dói
me acorda na noite fria
e em mim
luas que minguam
estrelas que nascem
e meu corpo padece sem o teu
e na desordem
minh'alma sem mais saber
o caminho da tua
pena
nem sei suportar
as noites que acabam
as madrugadas quase sem fim
e as manhãs que para nós
já não parem dias...

Tanto que nem sei se é verdade
assusta e arde
me deixa completamente só
e aqui
luzes que se apagam
cores que desaparecem
nem som
nem nada
e eu calada te vejo partir...

cris: 18:55

...


Outubro 26, 2006

Trama

Nela
o atalho
o caminho incerto
o perigo e o gozo

Em mim
o segredo
o mapa
e o que nela encontro
marco
e o que com ela guardo
calo

Nela
o que em mim se esconde
flui
lateja

Com ela
o que de mim escapa
penetra

Em mim o avesso
o jogo
e o que com ela jogo
perco
e o que ela me tira
o fôlego

cris: 22:31

...


Outubro 20, 2006

Souvenir

Em algum lugar eu guardei
um pedaço do teu tempo que era meu
além de alguns contornos do teu corpo
que você me deu
depois de tantos olhares silenciosos
depois de beijos intermináveis
depois que as tardes quase viravam noites
eu guardei em algum lugar em mim
para lembrar depois
em memórias que tomam formas
queimam e dão vontade de ser presente...

cris: 17:59

...


Outubro 11, 2006

Nação

Não há quase nada de novo no mundo

No gigante sobre nós, os períodos se revezam
entre o bem e o mal
no modelo maniqueísta fácil de usar

No velho mundo as fronteiras de desfazem
mas os preconceitos não

A leste uns testam bombas de muitos quilotons
antigo artefato da guerra fria
e preparam o terror

Ali do outro lado do mar das tormentas
continuam fome, aids, miséria, esquecimento, extinção

Ainda temos os caudilhos da latino América
e eu continuo sem entender o que é Guantánamo

Mas aqui, sim, aqui no país tropical, bonito por natureza
tem algo muito novo e muito importante acontecendo
e precisa de mais tempo pra ficar mais forte

É a mudança mais significativa que uma nação tão jovem
já impôs as camadas dominantes
aqueles que por séculos tiveram a posse dos nossos sonhos
e da nossa voz

Aqui entre cafuzos, mamelucos, mestiços, mulatos, negros,
brancos, amarelos, tupis e todos os povos do mato

Aqui a esperança vencerá o medo!


cris: 20:23

...


Outubro 9, 2006

Quinta

Era quinta
e o sol esturricava a cidade
queimava as avencas do balcão da vizinha da frente
encharcava as camisas dos engravatados
fazia com que o azul do mar e do céu
se fundissem e derretessem
embaçando o horizonte

Eram quentes e lindos os dias naquele lugar
tanto que enfeitiçavam com suas primaveras escaldantes
e com seus verões de belas mulheres seminuas
desfilando seus contornos
pelas calçadas desenhadas de Copacabana

Era cedo
e o tempo quando é quente anda devagar
quase desiste de passar

E era ela que vinha
suada
a pele tão clara parecia nem ligar pro sol a pino
ela parava
e sentia o cheiro do sal que o vento trazia
a maresia que entrava pelos poros
e ela queria tudo naquele dia
era quinta
era o dia

E da minha janela eu via
era ela que chegava

Era ela
que caminhava entre os carros
segurando seu chapéu vermelho de abas largas
sorrindo mordendo a boca
parecia que desejava

Era ela que percorria a avenida
longe das sombras das marquises
na cadência de algum samba que cantarolava

Era ela quem eu esperava
e que entrava em minha casa
me beijando a boca
e me pedindo água

Era ela que em mim ardia
naquele dia
naquela quinta...

cris: 18:36

...


Outubro 4, 2006

Lendemain

Agora
o que ainda nem sonhamos
o que já não queremos
a página lida do livro
o próximo parágrafo
o que esquecemos
o que desejamos
é assim
passa...

Amanhã
a hora
a tarde
aquilo que não foi dito
a palavra na garganta...

O dia seguinte
o que virá
e contamos
e vamos
a pele que enruga
os olhos que embaçam
distâncias não mais vencidas
e corre
escorre
incontrolável e impressionante
outonos
tantos...

É assim
e depois
as lembranças
ficam em algum lugar
em diários
em cartões-postais
em versos nas gavetas
no cheiro do papel
é o tempo
tanto tempo
e passa...


cris: 23:44

...


Setembro 29, 2006

Folhinha

Havia um dia em que podia
e os corpos se reconheciam
tato
olfato
lençóis
As bocas e os beijos
pareciam rimas ricas raríssimas
e se repetiam
se multiplicavam

Em mim tudo ardia feito fogo
talvez paixão
nela não sei
mas no dia ela sorria
e me abraçava
e me engolia
de um jeito quente que comovia
e sempre parecia
a primeira vez ou a última vez...

Naquele dia agendado
riscado no calendário
de horas precisas e imensas
escorriam tardes
salivas e gozos

Havia tanto silêncio
e tanto ruído
eram pernas
contornos
olhos fechados
prazer
e em mim tudo latejava
e nela também
eu sentia...

Havia um dia
e demorava
nem sempre podia
mas por ele eu
sempre esperava...

cris: 20:18

...


Setembro 6, 2006

Amor, paixão e desejo

Receita de pão:

farinha de trigo fininha
água limpa
fermento
sal a gosto
tiquinho de açúcar
pouquinho de óleo
e mãos treinadas

mistura tudo e amassa e levanta
empurra a massa para frente com a palma da mão
e dobra e repete e deixa a massa descansar
não pode grudar na mão

espera e volta e amassa e dá a forma
eu prefiro o francês, mas pode ser baguette
me lembra Paris

Paris...

Breve guia da cidade:

Rive Droite
Canal de Saint Martin
Café no marché Montorgueil
e andar seguindo o Sena até cansar
aí para e toma outro café
e fica ali olhando meio parisiense vouyeur da rua
das moças que passam quase todas de preto
quase todas lindas só porque falam a língua de Adjani...
Ai que boca!

Boca...

Lições de beijo:

quando muito jovem treinava beijo
sim era preciso estar preparada
afiada com tudo literalmente na ponta da língua
então treinava com primos e primas
com amigos e amigas
sim era preciso a variedade
e beijava
alguns eram deliciosos
outros babados sem qualquer graça
uns queimavam em lugares que atordoava
outros eram enfadonhos
lembro que um dia de tão atordoada
agarrei pra valer o beijante do treino
e tive consentimento imediato
e aí entendi que treinando com afinco
podemos ser bons no que fazemos
aí aprimorei
e continuo meu treinamento
é preciso estar sempre bem preparada...



... o porque do título desse texto: li isso aqui
e deu nisso... vai enterder!..

cris: 00:05

...


Agosto 29, 2006

Preciosa

Desapareço
misturada em você
no tom da tua pele
alva
você meu alvo
e em mim a mira
disparo
e surjo extasiada de você
do som do teu querer
geme...
você minha gema
meu rubi
pedra que me sustenta
vertical
arco que me permite vertigem
me atiro
no meio do teu inteiro
me parto
me transformo...
por você eu me refaço
pra você eu me dispo
e nua
completo ciclos
descubro ritmos
eu oculta em teus meandros
umedeço meus olhos
meus membros
meus lábios
em silêncios
beijos e arrebóis
em você eu me rebato
eu me multiplico
com você todos os caminhos
são perfeitos
e neles eu me farto
pura
e tua...

cris: 21:40

...


Agosto 11, 2006

Privilégios

Podia doer
e ser tão bom
podia arder
podia ardor
mas não podia
paixão

Podia o dia
mas a noite não

Podia o silêncio de avenidas
mas de ruas tranqüilas
podia não

Era assim que acontecia
que escorria
que havia beijos
e companhia

Podia o gozo
podia o vinho
mas a festa
podia não

Podia pertencer
até a alma
podia emocionar
a vida toda
mas todo dia
podia não...

cris: 18:09

...


Agosto 4, 2006

Vesperais

Pela tua porta aberta
te ofereço fantasias
te peço uns caprichos
e entre teus lábios
além de sorrisos
o consentimento e beijos
me permitem mais do que pedi

Pela tua janela entreaberta
a cor do céu
entra em azuis e rendas
e eu me rendo
me disfarço

Pela tua pele branca
meu desejo furtivo desliza
teu cheiro me ameaça
e eu em teu lençol
me arrisco

Ali entre teus abraços
e todos os teus silêncios
meu corpo se farta
e eu a ti pertenço

Línguas
leito
tudo é lento e imediato
nosso tempo de tão curto
demora
lateja
arfa
dilui
o que de mim
esvai por você

Assim nossas tardes
viram dias inteiros
e o tempo entre nós
se multiplica
em expoentes de prazer
na potencia que acelera tudo
e que impõe ritmos às nossas volúpias
e que aumenta a velocidade da vida
e nos aquece sem garantir nada
nem hoje
nem amanhã...

cris: 15:48

...


Julho 27, 2006

Encontro

Vi teu filho
forte, bonito, crescido
um pouco triste, mas são!

Enquanto ele me contava
sobre suas ondas inesquecíveis
via dentro dos olhos dele os teus
a mesma cor, um pouco mais clara talvez
e o mesmo jeito de descrever as coisas bonitas

Você ia se orgulhar do menino
mesmo ele tendo repetido o ano
mesmo ele dando uns tapas
mesmo ele sendo um adolescente comum
mesmo assim ele está indo em frente...

Vi teu filho
inseguro, corajoso, confuso
um pouco distante, mas vivo!

Durante aquela tarde com ele
pude relembrar o tom da tua voz
um pouco do teu cheiro
e descobri que ele é tão diferente de você
mesmo sendo quase um teu retrato
e tão desconhecido pra mim...

Vi teu filho
lembrei de você num dia ensolarado
na praia com ele
vocês e aquele mar que nos separou...

Vi teu filho
e de repente
me percebi outra vez tão próxima de você
e o sorriso dele me lavou os olhos
me encheu o dia de alegria
me deu esperanças pra recomeçar...

cris: 11:03

...


Junho 16, 2006

Emulação

Pelos vãos
pelas portas abertas
pelas bocas e janelas
entram
e invadem

Quem há de impedir?

A liberdade
a palavra
por um triz
por um fio
não há como proteger
nem como se esconder

Pelas redes
pelas teias
novas marcas
pegadas
os rastros
os restos
o todo
sem fio
sem olhos

Quem há de dizer
que tu me prendes
entre teus vãos?

Silêncio...

cris: 20:58

...


Maio 29, 2006

Vão

Eu estava eu ali distraída
olhando para um fim de tarde
azulado de inverno
e lembrei de você
num flash
minha memória
lembrou teu cheiro
teu sorriso invadiu a paisagem
e de repente te reencontrei ali
tão lindo misturado no azulado
do fim daquela tarde fria

Meu silêncio atônito
lembrava a tua voz
e num segundo
pude te ter comigo novamente

Eu sinto tanto a tua falta
que às vezes em meus sonhos
o vão entre a vida e a morte
é tão pequeno
que me permite te sentir

Minha saudade é tão grande
que poderia com ela te tocar
ficar mais perto
pra te dizer olhando teus olhos
do meu eterno amor por você...


...tanta saudade de você meu irmão...

cris: 09:11

...


Maio 4, 2006

Bobo

Estava ali esperando você passar
Saia rodada, blusa de alça que escorrega no ombro
quando você joga o cabelo pra trás
é lindo...

Estava ali só pra ver o escorregar da alça da tua blusa
e o jeito que o vento vem pra tua saia balançar
parece que ele sopra só pra você passar
e sopra com cuidado só pra mexer a saia sem levantar
é lindo...

E você toda prosa
parece que passa ali só pra me deixar assim
olhando com cara de boba
a alça da blusa escorregar pelo teu ombro
teu ombro moreno

E você vaidosa
segura a saia que o vento ajuda a rodar
e parece que desliza
e sorri sem me olhar
você é linda...

E eu fico ali
sem querer que o tempo passe
sem querer que você vá
e sem saber se você me vê...


...caros leitores, ando calada... ando com saudades também!
quero poder trabalhar menos e escrever mais, mesmo que
só coisas bobas... vivo sonhando! beijos cirs

cris: 00:03

...


Abril 9, 2006

Oxigênio

Sinto teu cheiro
pelo espelho
dos meus olhos
e o calor
dos teus refletidos
em mim
inundam meu corpo
de vontades

Teu doce
se espalha em mim
derrama
escorre
esvai...

Teu gosto
em excessos
em caldos
em beijos que transbordam
e completam vãos
enchem meu corpo
de desejos

Teu quente
se aquece de mim
ele arde
dilata
lambe
é fogueira
que queima
e não quer fim
é labirinto
que retém
você em mim...

cris: 20:43

...


Abril 4, 2006

Estático

Eu talvez pudesse
te dizer do meu amor
talvez se ele ainda fosse
todo teu

talvez pudesse
te beijar a boca
e deitar ao teu lado
sem precisar palavra
e ficar ali
naquele nosso silêncio
preguiçoso
escorregando os dedos
pelos teus cabelos

Eu talvez pudesse
te contar meus planos
talvez se você
ainda fosse partir comigo
se fosse atravessar
o estreito de Gibraltar
e se perder ao meu lado
entre o mar tão salgado
e as pirâmides de Queops

Eu talvez pudesse
mesmo com as malas prontas
esperar que você pensasse
mais uma vez
e que você sonhasse
em acordar em outro lugar
misturada em mim
em mim
e no calor das areia
cintilantes do Algar

E seria assim
sem volta
e sem fronteira

Eu talvez pudesse
partir e te deixar aqui
assim sem mim
sem você em mim
sem o teu olhar
imã do meu
talvez eu pudesse ir
mas o meu amor ainda é
quase todo teu...

cris: 21:47

...


Abril 1, 2006


...vi lá na zel e gostei...

cris: 20:18

...


Março 29, 2006

Plágio

Tem aquela
que nem sei dizer
o quanto é próxima
mesmo nem sendo
possível medir
o palmo
mas que a palma da
mão
adora o toque
e lembra...

cris: 23:37

...


Março 13, 2006

Atroz

Sei que você
se esconde no teu escuro
e que rumina
teus ódios
tuas iras
teus abandonos
tudo
misturado
com o resto de vida
que você tem...

A muito teu gosto
pela festa esvaiu-se
perdeu-se
entre teus dentes
entre tuas palavras
sem retorno
sem eco
Você habita teus silêncios...

Não há verões
nem dias ensolarados
que aqueçam
teu corpo abandonado
confundido
com as mentiras
do personagem
estático
patético
que você criou
Um fantasma...

Mesmo assim
você diz que sobrevive
dentro deste lugar improvável
precário
sem céu
sem direção
Você, dependente da tua solidão...

Sei que você
se protege nas tuas sombras
e protegido você pode ameaçar
sorrateiro e covarde
você pode intimidar
Maléfico, você pode até destruir...

Não há limites para o desprezado
para o infeliz!
São eles que mutilam
que dizimam
que invadem nossas casas
que violam nossas filhas
que destroem
que sabotam
que atormentam
Não há limites para os desesperados!


cris: 18:43

...


Março 11, 2006

Le rideau

Eu lembro
eram rendas na janela
não cobriam o que não podia ser visto
mas escondiam alguns relevos
uns poros
teus seios
meu sexo estendido
inventado
penetrado em você
e nas tuas salivas
que me cortavam
e que me faziam querer
ainda mais

Era um tecido entrelaçado
eu lembro
pendurado na janela
que permitia que a luz
daquele dia quente
fervente
inundasse nossos corpos
de suor
e de prazer
eu em você
e as sombras dos desenhos
que ele fazia nas paredes
e nos teus olhos
quase verdes...


cris: 11:18

...


Março 6, 2006

Delta

Tem em mim
aqui
a nascente
quente
que cresce
que leva
e transborda
em meu leito
o curso das minhas águas

Tem em mim
aqui
na minha margem mais selvagem
o afluente
quente
que me transpassa
que me faz perene
que atormenta minhas cheias
e minhas vazantes

Tem em mim
aqui
o caminho
o percurso
doce
denso
o fluxo interminável
inadiável
na tua direção
na busca do teu sal
das tuas ilhas de cascalhos
dos teus contornos

Me guarda
nas tuas flutuações
nas tuas vagas espumadas
me espera
me recebe
eu feita para te encontrar

Tenho aqui em mim
a força
a corrente
que carrega meu volume
na minha única direção
teu largo
tua imensidão...

cris: 21:44

...


Fevereiro 24, 2006

Samba-Enredo
União da Ilha do Governador
- 1989

O rei mandou
Cair dentro da folia
E lá vou eu!
O sol que brilha nessa noite vem da Ilha
Lindo sonho que é só meu

Vem, vem, amor
Na poesia vem rimar sem dor
Na fantasia, vem colorir
Que a vida tem mais cor
Vem na magia
Me beija nesse mar de amor
Vem, me abraça mais
Que eu quero é mais
O teu coração

Eu vou tomar um porre de felicidade
Vou sacudir, eu vou zoar toda cidade

Ê, Boi Ápis!
Lá no Egito, Festa de Ísis
Ê, deus Baco! Bebe sem mágoa
Você pensa que esse vinho é água?
É primavera
Na lei de Roma a alegria é que impera
Oh, que beleza!
Máscara negra lá no baile de Veneza!

Oi, joga água que é de cheiro
Confete e serpentina
Lança perfume no cangote da menina


...volto logo depois da folia!..

cris: 19:49

...


Janeiro 29, 2006

Corrente

Estava olhando a tua foto
aquela que fica na estante
onde guardo umas coisas
a coleção de lápis
o peso de papel de vidro
minha dissertação de mestrado
uns livros de capa dura
Camões e Camus

Sinto tanta saudade...
e olhando teus olhos
na foto que eu mesma fiz
te digo
- você tem um olhar tão triste!
ou tinha
- porque você não me disse da tua dor?
eu podia ter te abraçado a noite toda
podia ter ficado ao teu lado até você dormir
até você organizar tuas confusões
eu não ia te deixar
não ia!

Estava lembrando daquele dia
daquele mar
a cor escura daquelas ondas calmas
da areia fina e úmida
do céu estranho
do vento que trazia a chuva
foi o dia mais horrível que vi
nada fazia parte
tudo parecia estar em desalinho com a vida
o dia que você partiu
sumiu
desapareceu

Sinto tanta coisa misturada
e olhando a tua foto
ali na estante
misturada com as cores das coisas
te digo
- você é tão bonito!
ou era
- porque não fiquei perto de você?
eu podia ter tentado te mostrar que valia a pena
podia ter te levado comigo dali
até você descansar e recomeçar direito
nunca devia ter te deixado só
e foi só um pouquinho
quando voltei não te encontrei
quando voltei só havia
o mar
e o vento que formou as vagas
que te levaram de mim...

cris: 23:38

...


Janeiro 6, 2006

Esfera

Te digo agora
Me olha no olho
Quero!

Segura minha mão
Sente
Pulsa
Minhas pontas latejam
Meus extremos tangem
Desesperadamente

Então escuta
Vem!

Encosta em mim
Sua
Desordenada
Meus vãos te percebem...
Ocupa
Invade
Toma

Me diz agora
Olhando no olho
Quando?

cris: 21:23

...


Dezembro 20, 2005


...quando um pouco de inocência é perfeito!
feliz natal e um super 2006 para todos...

cris: 20:22

...


Dezembro 11, 2005

Justine

De você eu quero
as mãos
a boca
os seios pequenos
o ventre
as nádegas arredondadas
as pernas
e o vale entre as suas pernas...

Quero a boceta
la boite ronde
a caixa de Pandora
a origem de todos os males do mundo
onde também está guarda a esperança
quero a vulva dilatada da libertinagem
da vaidade e do orgulho
onde se escondem os vícios
e se permite toda devassidão

De você eu quero
o castigo e a maçã
quero punição pelo poder do fogo e da paixão
quero o gozo e a vingança dos deuses
quero o martírio
a culpa e a expulsão

De você eu quero
promessas
mentiras e ficção
quero alguns outonos lilases
camas redondas de motel
vaselinas perfumadas
e lençóis borrados de baton
quero o que é reles
quero o desprezível som do teu prazer

De você eu quero
a dor e os músculos penetrantes
dos amantes viris
quero halos azulados
entre orquídeas ordinárias e mortas
quero o desatino e a volúpia de teus beijos
quero a ardência da tua língua áspera e úmida
a me lamber as costas

De você eu quero
a perversão e o medo dos caminhos ermos
onde se escondem os degenerados
quero o suor de fel que você emana
em movimentos febris das mãos, cabeça e quadris
quero o desespero e o veneno adocicado
que você expele pela boceta
o fluido pegajoso que escorre silenciosamente
pelo vale entre as suas pernas
e que transborda em espasmos
e delírios na minha boca...


...repostando...

cris: 15:27

...


Dezembro 8, 2005

'You may say I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one'
(J.Lennon)


25 anos - tanto tempo...

cris: 20:59

...


Dezembro 3, 2005

Total

Era derramado
desperdício
demasia
e eu queria mais
excesso
cúmulo
tudo era assim
teus veludos
pele
palma
alma
meu corpo em redundância
sobre o teu
teu muito
tão
te quero
tanto

Era imensurável
muito
vazava
entornava
era teu beijo no meu
tua boca que me transpassava
teu todo
inteira
te quero toda
tanto
tudo era assim
meus imensos
cheios
repletos
todos em você

Era inumerável
quantos
tantos
nosso tempo incontável
incógnito
secreto
eu e você
completo...

cris: 20:50

...


Novembro 27, 2005

Elas

Difícil essa minha peleja com as palavras
às vezes é mais que uma rixa
passa da implicância
é desavença
é desafio

Não tenho qualquer chance contra elas
eu sei
mas me debato
brigo
encaro

Tem vezes que desisto
outras tomo coragem
insisto
apelo até pra ignorância

Entre nós
parece até paixão
entre nós
tem coisa que queima
destrói
devasta
mas também desatina
coisa que enfeitiça
e que quando não cabe no peito
sai
foge
desata
deságua
molha
me encharca
e apazigua...

cris: 12:38

...


Novembro 19, 2005

...Nulla dies sine linea...
Plinius

E eu ando sem a mínima vontade delas!

cris: 20:05

...


Novembro 11, 2005

Novembro

Primavera úmida e fria
na cidade maravilhosa
pela janela o engarrafamento
de toda a sexta-feira
paciência
olho reflexos pelo pára-brisa
e sei que teus olhos
estão por aí
misturados nos olhos da multidão

Som ligado
vidro fechado
chuva fina
engavetamento na curva
tudo parado
o carro
o tempo
e a minha vontade de te ver

Primavera de ventos
e nebulosidades ao fim do período
perdi mais um guarda-chuva
esqueci as janelas abertas
e nem sei se quero mais você
incoerência
mas sei que teus pensamentos
estão em mim
misturados naquela noite
que nem terminou
então aumenta o volume
e sente a tua vontade
de me ter outra vez em você

Primavera de tempestades
e ciclones tropicais
vidros embaçados
meninos nos sinais
equilibristas molhados
e teu cheiro ainda em minhas mãos
todo o teu acre em mim
teu abraço tão doce depois do amor
depois do prazer
e eu nem sei o que dizer
tanta tristeza
que eu nem lembro mais
se estava indo te encontrar...

cris: 20:02

...


Novembro 5, 2005

Out

Desemocionada
Descomovida...

Invento palavras
pra ver se consigo
descrever meu nada
meu nenhum
meu vazio

Abro a janela
e minha cidade
descontrolada
desnaturada
resiste ensolarada

Abro os jornais
Paris
Mar del Plata
cidades em chamas
e o fogo que queima
é impotência

Não há mais protesto
que caiba
Nenhum manifesto
se escuta

E os senhores de terno
os que decidem sobre
as águas
sobre os céus
estão ali sentados
em estofados de veludo
se comportam e sorriem

Todos agarrados
atados
ao poder que desaba...

'in god we trust'


mar del plata - argentina - novembro 2005 - 4ª cúpula das américas

cris: 11:59

...


Outubro 25, 2005

Sim

Talvez seja isso mesmo
um direito genuíno
desde sempre empunhamos
algum tipo de engenhoca
fosse para o ataque
fosse para a defesa

Tanta coisa mudou com o tempo
até as engenhocas
mas nós não mudamos em nada
só ficamos mais valentes
e criativos...

Arma automática
Arma biológica
Arma branca
Arma de arremesso
Arma de curar ataques
Arma de dois gumes
Arma de fogo
Arma de repetição
Arma de retrocarga
Arma estriada
Arma não automática
Arma nuclear
Arma raiada
Arma semi-automática

E assim vamos continuar...


23 de outubro de 2005 - a maioria decidiu não mudar nada. que pena...

cris: 19:13

...


Outubro 16, 2005

Secante

A terra cansa
e resseca a pele do planeta...

Então qual o creme hidratante?

Nós que nos preocupamos
com a cor das unhas
dos sapatos
que temos cremes
e bálsamos para tudo
que temos tudo contra rugas
contra o envelhecimento
o que fazemos para ela
a Terra que murcha?


- a maior estiagem em décadas na amazônia -
fonte - o globo online

cris: 11:28

...


Rápido

É essa a coisa que me tira da linha
e desvia meus pensamentos
que me perturba
e que às vezes toma formas...

E que formas!
Ai nem quero lembrar...
Senão eu não seguro
porque de fato é bom
porque gosto do gosto
Isso podia ser pouco
mas não é!

E é essa vontade que me impede
de ir naquela direção
pela contradição
pelo medo
pela covardia
e pela culpa
Essas coisas todas que misturadas
dão horas de terapia
de tentativas de esquecimento
de desvios na auto-estrada

É esse monte de desejo
que se refugia em mim
Eu escondo
eu não mexo
nem remexo
pra nada sair do lugar...

Não quero bagunça!
Ai não quero
mas te quero liberdade...

cris: 10:35

...


Outubro 3, 2005

Hipérbole


eu não vou discutir
claro que você
que tem sentido
que tem direção
deve estar coberta de razão...

Eu que ando
de lado feito caranguejo
que fecho os olhos
pra escutar um fado
e que desenho janelas
enquanto falo ao telefone
não sei mesmo
a porção de coisas importantes
que você diz
que tem que saber na vida...

Eu esqueço
Eu esmoreço
Eu não gosto de ficar só
Não sou forte
e atravesso as ruas sempre
na faixa de pedestres...

Tenho uns medos!
E mesmo que você insista
e repita que não há motivos
eu tenho medo de não mais
acreditar na liberdade
na verdade
no comum...


eu sou prolixa
sou exagerada
quase criptografo minha fala
vivo de imagens
sou tão metafórica
misturada em canetas bic
e máquinas de escrever de brechó...

E aí eu nem sei como você
tão reta
direta
tão certa
me olha assim tão bonito
me beija um beijo tão bom
me diz no ouvido tudo
que eu quero ouvir
e me pega de um jeito
que nem dá pra dizer
e me faz
tão feliz....

cris: 21:18

...


Setembro 27, 2005

Corrida

Quero
que você
ultrapasse
os limites
na minha curva
mais fechada
e que
atravesse
as vielas
as veias
minhas vias de vida
em alta velocidade
em segundos
e meu coração na boca
e você nela
e eu em você
te prendendo
entre as pernas
excedendo
a vontade
eu cedendo
à tua sede
e me deixando
inteira na tua rota
de colisão!

cris: 20:07

...


Setembro 15, 2005

Equinócio

Ela e eu
órbita imaginária
idêntica
entre meus domínios
e suas posses
dia e noite
de mesmo valor

Ela e eu
dois anéis elípticos
em movimentos cíclicos
seu corpo no meu
e a interseção dos ciclos
de nossas marés...

Ela e eu
no instante de luz
no sol que corta
o meio da terra
o meio de mim
o meio dela...

Nós
pontos eqüidistantes
dissimulados
coloridos
em tempo de cios
de brisa vernal
de nosso círculo inalterável
eu entregue aos seus
setembros
ela pronta pras minhas águas
de março....

cris: 20:27

...


Setembro 5, 2005

Vórtice

A terra escorre
perde o controle
expira sua violência
em turbilhão
em vendaval
e nossos corpos frágeis
não podem resistir
nem o concreto
nem o aço
nem os telhados
fincados nos pilares profundos
calculados pela matemática
pelos números dos homens
nem eles podem resistir...

A terra verte
esgota
e nos céus cobertos de neon
ela revolta
sorve
envolve a vida em seus abismos
subverte
destrói o que ela não concebeu
e nossos corpos débeis
não podem combater...

Estamos aqui dependentes
das marés
dos ventos
das mudanças da lua
dos pontos no céu
nossa garantia seria a submissão
aos cursos dos rios
às copas das árvores
mas devoramos
invadimos
e precipitamos o fim

A terra espalha
são dádivas
nossa confirmação
nossa existência
perpetuação...



'são quase todos pretos
ou quase pretos,
ou quase brancos quase pretos de tão pobres
e pobres são como podres
e todos sabem como se tratam os pretos'
(caetano veloso e gilberto gil - haiti)


setembro 2005 - nova orleans - destruida pelo furacão katrina

cris: 20:15

...


Agosto 27, 2005

Perigo na noite*

Meia noite
os vampiros estão nas ruas
e você está longe
Queria chupar teu sangue
teu seio, tua boca...

Meia noite
os bandidos estão à solta
e você está dormindo
Queria invadir a tua casa
te roubar tudo
te violentar na tua cama
e molhar todo o teu lençol ...

Meia noite
as cadelas estão no cio
e você acordada
pensa em mim
mãos entre as pernas
gemendo de desejo
me querendo quente e úmida...

Meia noite
a cidade está quieta
eu sinto o cheiro do teu sexo na minha mão
lembro tua boca molhada
e da saliva do teu beijo...
Meu Deus, não vou mais conseguir dormir!

Meia noite
as putas estão na Atlântica
e você?
Queria te encontrar lá
te pegar de um jeito louco
te amarrar na cama de um hotel barato
te usar
me fartar
e te pagar...

Meia noite
os travestis estão nus na calçada
Queria te pegar assim
pele de mulher com músculo de homem
e te penetrar até o gozo
Perversão e prazer
você sempre quis assim...

Meia noite
os garotos cheiram cola
as mendigas catam lata
e você nem conhece a madrugada...
Queria dançar com você num cabaré da praça Mauá
me esfregar em você até babar teu ombro
e te fuder num banheiro sujo
gemendo só pra você ouvir...

Meia noite
noite inteira que não se acaba
os bêbados estão na sarjeta
e você sóbria me manda embora
me diz não chupando minha língua
e mordendo minha boca...
Cadela!

Meia noite
os jornais estão na rua
as manchetes das enchentes
enchem as páginas de lama
e você dissimula o êxtase
implora o nunca mais
e me alaga com teu torpor...
Queria uma enxurrada
minha pele na tua carne
e você em mim misturada
suplicando profundidade e vigor...

Meia noite
os fanáticos clamam deuses
os marginais mijam no meio-fio
e comem os restos da cidade
e você nem imagina a perdição!
Queria poder te possuir
sob a marquise do theatro
te aliciar e te reter entre meus dentes
até doer
até sangrar
pra poder te livrar do castigo da fartura
e te transbordar de luxúria

Meia noite
e nós?
queria te prender entre as minhas pernas
e te inundar com meu pavor...


*poema antigo, já publicado, reciclado e repaginado...

cris: 17:28

...


Agosto 20, 2005

Encanto

Me diz
perto
bem perto
quanto falta
pra eu chegar
tão perto
bem perto
de você
Que eu te
digo
entre teus lábios
vem
vem
me encontrar...


gustave courbet - le sommeil - 1868

cris: 19:13

...


Agosto 11, 2005

Teoria

A dificuldade
é com a forma
com o que se toca
com o que se vê
por que na função
o espaço se sente
se vive e se transforma...
Ele se multiplica!

Quem define teu espaço?
Quem percorre teus ambientes?

As necessidades
são de ordem
de abrigo
de proteção
o suficiente é pouco
então que hajam
portas
janelas
paredes
não para o isolamento
mas para a dignidade

Quem planeja teu lugar?
Quem penetra em teus locais?

Mesmo as intimidades
pedem luz
para a cor
para a penumbra
ou a sombra

Viver requer teto
há muito fugimos da chuva
nossa pele não mais suporta tanto sol

Viver demanda refúgio
poucos de nós ainda perambulam
sem pouso definido
nômades e seus camelos

A dificuldade
é olhar a cidade
e não ver os abandonados
sob os telhados apoiados
em paredes de papelão

Senhores
não há mais tempo
para o embate
entre a forma e a função!

cris: 11:44

...


Julho 31, 2005

Assimetria

Tinha uma textura branca que refletia em mim
era a juventude dela
era o novo e o recente
era o cheiro de presente
de agora

Dela exalavam
o imediato e o instantâneo...

Meu corpo deslizava nela de um jeito demorado
escorregava
entre os gomos delicados de suas pernas
resvalava
entre a polpa arredondada de suas nádegas

Tinha uma forma aguda
era o novo ciclo dela
o moderno
o real
e em sua pele
sem marcas
sem vincos
meus olhos se perdiam

Dela desprendiam
o breve e o passageiro...

Tinha um tempo veloz e transitório
que me prendia
entre os dosséis de sua cama
entre as palmas de suas mãos
em seus beijos loucos e efêmeros

Dela escorriam
o ilusório e o vão...

Meu corpo ávido e sôfrego
atingia o dela de um jeito forte
e colidiam poros
penetravam hastes que de mim brotavam
era lascivo
era desejo
era a ardência do arrebatamento
que descompassava
desnaturava
e criava em mim outras partes
que nela eu atravessava

Tinha um desequilíbrio
a oposição perfeita que comandava a vontade
o movimento que dominava o gozo
o desespero
e a aflição

Dela escapava a certeza
E de mim o não sei não...

cris: 19:31

...



carmim